O Cais da Ponta do Sol reabriu ao público na passada segunda feira, após a empreitada de reabilitação e requalificação que coloca esta infraestrutura portuária oitocentista como um exemplo e uma referência no domínio deste tipo de trabalhos de  recuperação de um património que valoriza e dignifica toda a região.

A obra que representou um investimento de mais de 700 mil euros da Vice Presidência do Governo Regional, com  comparticipação comunitária de 85%, foi liderada pela APRAM e passou pelo diálogo entre várias instituições, nomeadamente a Direção Regional de Cultura e a própria Câmara Municipal da Ponta do Sol, no sentido de se preservar e respeitar um cais projetado pelo engenheiro Tibério August Blanc e construído entre 1848 e 1850, junto à casa da guarda e da antiga prisão escavada na rocha..

O Vice-Presidente do Governo Regional, Pedro Calado, que visitou o local no início das obras, considera que se "correspondeu aos desejos da população local, reabilitando e devolvendo a segurança daquela infraestrutura portuária, preservando o património existente e promovendo e rentabilizando um ponto turístico, que pretende cativar os visitantes."

Além disso, o governante lembra que este cais do século XIX mantem a planta original do projeto e "é há muito, um ponto de referência do concelho. Todas as intervenções de recuperação e consolidação deste património regional tiveram sempre em atenção a preservação e reutilização dos materiais originais."

“De salientar, justamente, o trabalho minucioso efetuado pelos calceteiros, que repuseram a calçada madeirense de pequenos calhaus rolantes e o trabalho a nível arquitetónico que assegurou a configuração, textura e cor originais”, realçou o vice-presidente.

Dividida em dois lotes, a empreitada de recuperação e reabilitação teve em conta a manutenção da falésia, com a reabilitação da proteção de taludes. Depois, foram feitos os calcetamentos, a remoção e colocação de novos capeamentos nos muros, em cantaria regional, execução de pavimentos em calçada madeirense e a reabilitação dos pavimentos em betão, reparação das escadas em cantaria, execução de revestimentos e pintura dos mesmos e colocação de guardas metálicas e iluminação pública.

Até finais do século XIX, foi o porto secundário mais importante da Madeira, com um movimento médio anual de cerca de 8 mil toneladas de produtos da terra e granéis alimentícios, importados do Funchal para a população local.

Em 1947, movimentou cerca de 26 mil passageiros, numa altura, em que a ausência de estradas em terra, fazia com que se optasse pelas estradas marítimas que ligavam os diferentes locais da Região.

Além de ter servido para o embarque e desembarque de pessoas e bens, o Cais da Ponta do Sol funcionou também como troço do caminho real de ligação ao Lugar de Baixo, aberto posteriormente na rocha.

 

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